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sábado, 3 de dezembro de 2011

Poema de chão


Cheguei ao chão
e de chão fiz meus pés
Tornei-me estrada

Fiz céu da minha dor
e havia Maria
em toda parte

Um menino preso ao chão
com um badoque na mão
olhando para o céu

Mira o moleque
com jeito de quem
sabe a chuva que vem

Se perde o menino
mundo a fora
sem rumo nem prumo
Menino de chão

Em que rua nos vimos, menino
Por quais ruas nos lançamos
até nunca mais

Em que rua
demos as mãos
sob o mesmo céu

Quando fomos
nossa dor
e nos sentimos chão

Somos hoje, menino,
um país
de céu e estradas

e Maria
num certo dia choveu
e nos encheu de rios

que nos cortam
que nos sangram
que nos lavam



Dodô Cavalcante

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

A benção


Não deixeis de ler nenhum poema
Os poemas são como as cegonhas da nossa infância
que sempre trazem consigo algo muito valioso para os outros
                     
Não deixeis de ler nenhum poema
pois se assim fizeres
poderás não sentir a inquietação ou a paz
que ele te guarda

Fazei como aqueles religiosos que antes de sair de casa
lêem algum salmo e pedem a proteção divina
- e se sentem abençoados

Volta, e lê aquele poema que passou despercebido
pois ele certamente te será útil no dia de hoje
Qualquer poema te aproximará de deus
pois os poetas ensinam a deus a ser divino

Lê, então, aquele meu poema e te sentirás abençoado
em nome do pai, do filho e do espírito santo
amém



Dodô Cavalcante

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Poema I


Tem dia que o céu é todo nuvem
é quando vai chorar
eu ando nublado ultimamente
e é perceptível
pelo tremor dos meus versos
certa vez me disseram
que além das nuvens havia sol
e se for noite? Noite sem lua?
não haverá muito pra se ver
senão as poucas estrelas
sobreviventes da guerra
homem e natureza
sobejos dos céus dessa urbe-luminária
por isso vou embora pro sertão
porque lá chove pouco
e a chuva tem mais valor
e quando a lua falta
as estrelas ficam num assanhamento só
Vixe



Dodô Cavalcante