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domingo, 25 de setembro de 2016

Prosa fina de amor e bar

Em um mês, desses que a gente quase não vê passar de tanta coisa que acontece, eu tive a presença de meus deuses como nunca ocorrera antes. Neste mês, minha transformação foi plena (e sem dor, acredite, foi de amor), serena e fundamental pro meu espírito - essas coisas que só a gente sabe, meu bem.

Em um mês me deparei com uma força estranha, daquelas que faz a gente crer em outras vidas, outros mundos. Daquelas forças que nos faz sentir o Orixá na gente - daquelas que deixa até o meu sorridente.
O tempo pro amor é sempre. O tempo da gente também.

Hoje eu sou canção. Sinfonia. E até silêncio eu sou. Mundo novo que desbravo encantado com sorriso e lágrima.

Hoje eu sou mais do que fui qualquer dia. Bem mais do que seria se não tivesse reencontrado tua luz e tua paz. Eu sei o valor da paz (guerreei por séculos a fio. Onde dói eu já nem sei). Daquilo que eu sei – sabemos – do pouco ou quase nada que sabemos ainda, nós dois, o que importa é a certeza que retomamos a caminhada. E que nela seguiremos.

Um mês é só recomeço.

Dodô Cavalcante

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Sobre pena de morte por merecimento

Saddan morreu. Tudo bem, ele era um assassino de milhares.
Bush não merece morrer, nem Obama.
Netanyahu vive e, se Deus quiser, viverá por muito tempo
Tony Blair também.
Os generais brasileiros do Regime Militar presentes. Hoje e sempre.
Charlie Hebdu não merecia morrer.
Mulçumanos merecem por uma questão de segurança. Afinal, como saber se aquele muçulmano não é um rojão? Questão de segurança.
Amarildo merecia morrer. Já investigou tudo? A vida dele? Encontraram algo? Não? Mas a cor dele... sei não.
Enquanto isso #JeSuisCharlie. E enquanto eu sou Charlie em favor da vida e da liberdade, eu quero mais é que os outros se explodam.

Dodô Cavalcante

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Bolsa-Família: algumas considerações.

Sem dúvidas o dado mais impactante da  "revolução" que o Bolsa Família causou está refletido na retirada de milhões de indivíduos da miséria e, consequentemente, o Brasil do mapa da fome no mundo.

Mas é bom lembrar que este programa em nada se aproxima do assistencialismo (definição de alguns que nunca procuraram saber sobre o programa e são sectários demais para aceitá-lo). O Bolsa-Família é um dos maiores programas da politica econômica que o Brasil já executou.

A partir do Bolsa-Família, municípios que sequer tinham o PIB de 1 milhão per capta - municípios pequenos e médios, que viviam na miséria, sem nenhuma perspectiva de melhoras, sem quase nenhuma outra atividade produtiva que não fossem as tradicionais atividades agropecuárias realizadas pela maioria das famílias de pequenos agricultores, sem estrutura, quase sem subsídios governamentais e que praticamente viviam de sua baixa produção (comer e vender/trocar o quase nada que restou da produção) - a partir deste programa que elevou a mais que o dobro e em alguns lugares o triplo, ou até mais (é só buscar os números da Bahia, por exemplo) os PIB municipais.

Não só porque colocou comida na mesa. Até porque a fome não se vence apenas pondo comida no prato (isto sim é assistencialismo), mas promovendo uma série de ações estruturantes na economia e promovendo o desenvolvimento humano. Quando colocamos os seres humanos no centro das ações da nossa política econômica mostramos que o país realmente cresce e não só cresce como desenvolve. O Bolsa Família é, antes de tudo, um investimento na nossa gente (e eu não sei como tem tanta gente que é contra).

O Programa, como disse, além de colocar comida na mesa da família brasileira, conferiu autonomia a estas famílias. Primeiramente por escolher aquilo que vão comer, coisa que nunca havia acontecido e isto, apesar de alguns acharem besteira, não é. Pra quem comia o que tinha, como palma, semente de algaroba em tempos de seca, pra quem morria de fome, não é. Dá uma sensação mínima de liberdade. Confere também autonomia de utilizar o recurso como bem entenderem.

Passou a gerar uma diversificação do mercado onde antes quase não existia opções. Passou existir consumo de outros produtos que antes só uma pequena parcela dos brasileiros, justamente aqueles que criticam o Programa em questão tinham direito de comprar. Talvez por isso exista tanta revolta: tiveram que se movimentar e inventar novos habitus para reforçar a distinção (já que "seus" produtos, lugares práticas sociais estavam sendo utilizados por seres que eles ignoravam, desprezavam e até enojavam).

Gerando diversificação do mercado, gerou emprego e renda nestes municípios. Tivemos uma grande seca no NE e parece que não teve. Não vimos notícias  de morte de seres humanos por fome, não vimos o famoso e, graças a deus extinto, êxodo para SP e RJ. Ao contrário, vimos muitos retornarem pra casa, pras suas famílias.

O mercado interno fortalecido e ampliado pelo Bolsa Família, aliado a algumas outras medidas da politica econômica dos governos do PT, como o fortalecimento dos bancos estatais e ampliação dos postos de trabalho, renderam ao Brasil um campo de força em relação às crises financeiras mundiais. Lembrando que estamos num momento de crise muito grande que atingiu o mundo inteiro, mas os efeitos dela no nosso país não nos impediu de crescer. Crescemos menos que em outras épocas dos nossos governos, mas ainda assim crescemos e geramos empregos e garantimos os programas sociais. Nos governos  neo liberais estes benefícios seriam cortados (como vimos no Brasil do PSDB  e mundo afora), para que os países continuassem atendendo às taxas de crescimento de grupos financeiros que nunca  consideraram o povo, mas as dívidas públicas destes países, gerando desemprego, além do fortalecimento das instituições financeiras internacionais etc.

O Bolsa Família necessita da integração de outras políticas públicas, ou seja, da intersetorialidade das políticas públicas como educação, saúde, agricultura, direitos humanos, politicas de combate às desigualdades de gênero, do trabalho entre outras. É um programa imenso, com uma conexão com outros programas sem igual na nossa história.

Obviamente precisa de maiores adequações como qualquer política e programa. Principalmente de gestão, mas isto quem possui maiores condições é quem realmente o criou. Quem realmente pensou e estruturou esta revolução: um governo do PT. Não há outro.

Para finalizar, aconselho a todos que apoiam e àqueles que criticam de forma baixa e superficial pesquisar maiores detalhes do programa e dos outros programas que estão interligados a ele como PRONAF, PAA, PNAE, PSF, Mais Médicos e tantos outros. Em vez de propor o fim, deve-se propor a adequação destes programas. E de tantos outros. Isto sim é um dos maiores exercícios democráticos.

#QueroDilmatreze
#Eusou13

Dodô  Cavalcante

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Entre pai e filho

Enquanto a neblina baixava 
era o medo que crescia
Não trago esse medo comigo
O inimigo era que se escondia
Era a aurora pintando a rota
da fuga e da vida que ia
Nada ou ninguém me enxota
sou filho da valentia
Eu tenho guerreiros em volta
revolta, ferro e bravia
Não pense em qualquer viravolta
Me escolta o senhor que é meu guia

Ogum ao meu lado colora
os caminhos que a vida desvia

Ogum Iê


Dodô Cavalcante

domingo, 21 de setembro de 2014

De vira-latas a protagonista - ou alguns apontamentos sobre o Brics, NBD e ACR

Recentemente os Brics criaram um fundo (Arranjo Contingente de Reservas - ACR) e um banco (Novo Banco de Desenvolvimento - NBD) alternativos para financiar obras de infra-estrutura em países em desenvolvimento. Uma alternativa ao Banco Mundial e FMI, cujas formas de financiamento nós, brasileiros e brasileiras, conhecemos muito bem, graças ao PSDB. Além do mais, politicamente falando, configura-se numa estratégia política de afirmação, autonomia e maior independência frente ao famigerado e "humanitário" G7. Dilma foi uma das lideres desse processo. Inclusive, a participação chinesa na exploração do pré -sal e uma série de acordos comerciais estabelecidos entre os dois países ensaiou e até prenunciou esta movimentação.

Economistas anteveem, há muito, que a China em uma ou no máximo duas décadas se tornará a maior potência mundial. Me digam uma coisa: realmente é nada de mais esse movimento que o governo brasileiro faz com os chineses? O governo brasileiro não possui visão de futuro?

Me lembro que antigamente era consenso de Washington o que a gente assinava. E aprendemos a baixar a cabeça. Aprendemos a ser vira-latas, a desacreditar do Brasil. De nossa capacidade, de nossa força, de nossa gente. Esse, para mim, foi o maior crime que cometeram os governos anteriores: foi alimentar na cabeça de um povo o conformismo de ser eternamente colonizado.

Novamente temos um risco de voltarmos para o colo dos países do eixo EUA-Europa num eventual governo de Marina, ou Aécio. Do tucano nunca esperamos o contrário, mas de Marina (até por sua história política, sua formação na esquerda, sua participação neste processo de "independência" brasileira dos organismos financeiros mundial chefiado verdadeiramente pelos EUA) ninguém esperava. Esse movimento junto aos Brics e seu resultado (o fundo e o banco) podem ser escanteados por estas gestões sob o argumento de não ter rendido os frutos desejados num curto prazo. Bom que se diga logo que estamos no início do processo e possivelmente enfrentaremos crise. Até porque estamos disputando influência política e mercado com os chamados "donos do mundo" (quando me refiro à disputa na primeira pessoa do plural quero me referir ao bloco de países componentes dos Brics -Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e em disputa não existe aquele que fica apenas olhando as coisas acontecerem. Pois bem, ao menor sinal de crise das relações nós veríamos a desarticulação deste bloco iniciada pelo governo de qualquer um de nossos opositores. E ainda diriam que foi um grande atraso para a nossa política externa. Aposto quanto quiserem (só não poderemos ver isto acontecer porque Dilma vencerá).

Bom, o fato é que cada vez mais nos posicionamos enquanto protagonistas no cenário mundial. Isto não se viu em nenhum momento da nossa história (a não ser em Copa do Mundo e MMA) e isto, não se pede nem se espera acontecer (não aconteceu em 514 anos), se constrói com coragem, muita luta e paciência.

Acho que não preciso falar mais nada pra dizer quem nunca desistiu do Brasil e nunca desistirá. Pra quem sabe ler, um pingo é letra.

#Dilma13DeNovo #DilmaReeleita #MaisMudançasMaisFuturo #MudaMais#PT #PartidoDosTrabalhadores #CoraçãoValente

Dodô Cavalcante

sábado, 20 de setembro de 2014

#SomosTodosAranha


Vaiar é normal. Normalmente é. Mas por que vaiaram exatamente Aranha, goleiro do time do Santos, no estádio Olímpico, no confronto entre seu time e o mandante Grêmio, no dia 18/09? Justo ele que havia sido alvo de manifestação racista por parte desta mesma torcida que resultou em inquérito policial após identificação de uma torcedora que virou símbolo da agressão. A torcida gremista que esteve lá e se manifestou contra o jogador, a meu ver, posicionou-se ao lado da torcedora racista. Sei que não foram todos e acredito que a maioria dos torcedores do tricolor gaúcho (quero acreditar mesmo), são contra manifestações de cunho racista. É preciso entender que a imprensa hegemônica mostrou apenas aquilo que interessava à polêmica. Como sempre, reproduzindo de forma irresponsável um tema tão caro a tanta gente. Desde o começo deste caso os principais meios de comunicação abordaram a coisa de forma perigosa. Para todos os lados envolvidos. E em poucos momentos (para não falar em nenhum momento) se viu intensão em educar, em encarar mesmo um problema secular que causa morte e muita dor, no Brasil e no mundo.

Aranha errou em não querer conversar com uma agressora/opressora? Sinceramente, acho que não. A punição ao Grêmio foi excessiva? Esta resposta, dependendo de qual seja, mede muito o lugar que o racismo ocupa nas nossas vidas. De verdade. Acho que dá um bom parâmetro de como encaramos o problema. Não vou apontar quem é racista aqui. Obviamente não é esse o tema central do texto. Tampouco tenho esta autoridade sobre os outros. Nem sou um grande debatedor do tema em questão. Mas acredito que silêncios nos apontam muitas coisas. Não consigo ponderar o racismo, machismo e a homofobia, por exemplo. Mas isto não faz de mim o melhor dos seres humanos, tampouco me reveste de autoridade para classificar ou identificar racistas, machistas e homofóbicos e enquadrar quem quer se seja em qualquer esquema de classificação. Contudo, devo assinalar, na tentativa de estimular o debate e mostrar alguns pontos que ficam escondidos, alguns argumentos que para mim fazem do Grêmio co-responsável pelo episódio.

Até agora não vi posicionamento oficial do Grêmio. Provavelmente vão dizer que "vaias, são vaias, não têm nada demais. Vaiamos um jogador adversário, afinal de contas". Mas, justamente o jogador que há dias esteve envolvido numa polêmica? Acredito ser uma grande merda que o racismo ainda seja polêmica. Talvez a polêmica devesse girar em torno da pena. De quanto tempo de cadeia. Sim, o racismo deveria ser um crime inadmissível). O Grêmio, como muitos dos brasileiros que assim vão se posicionar, vai simplesmente reproduzir, fortalecer o racismo. E isto não é um ponto de vista. Vai negá-lo, vai invisibilizá-lo, vai ressignificar a vaia e esta é a melhor forma de reafirmar o racismo e todos os outros tipos de preconceitos e discriminação que existem e estruturam as relações entre as pessoas. Enquanto o Grêmio e as instituições encontrarem brechas no legalismo a gente ainda vai conviver por muito tempo com estas desigualdades. E, pra mim, é muito razo eximir o Grêmio de responsabilidade.

É muito fácil identificar um racista através das imagens das câmeras e dizer que contribui pro combate ao ao preconceito. Mas o que parece é que somente o fez pra não ser punido. Se a certeza da impunidade existisse como até bem pouco tempo era, não acredito que fizessem o mínimo esforço. Até porque, o racismo se manifesta há muito tempo nos estádios de futebol e todo mundo quer passar a bola apenas pro agressor. Mas não é só de quem agride a responsabilidade.

Acho que o Grêmio, como qualquer clube e instituição que silencie e não promova ações de combate ao racismo, delegando esse problema a qualquer agente que seja tem responsabilidade, sim. A culpa, por assim dizer, vem do fato que foi em, seus domínios que aconteceu e sua torcida. O clube deve cuidar para que ninguém seja exposto a nenhum tipo de violência. É difícil? Sim, mas deve-se começar a debater isto com urgência. Se os clubes brasileiros se renuíssem para discutir o assunto com seriedade, com certeza sairiam proposições importantes para a luta. Não adianta falar que isto é um problema de negros e negras,  ou que é o calor da emoção. No calor da emoção não costumamos agredir um branco porque ele é branco, nem a um heterossexual por conta da expressão de sua sexualidade. Não se pode nunca colocar panos quentes num ato de agressão.

Pois é, acho muito justa a punição conferida  ao Clube gaúcho. Como já disse, se não faz nada para combater, entendo que está contribuindo com o problema. O silêncio é um recurso da política. Diz muita coisa por si. Na história das nossas sociedades o silêncio se mostrou como um instrumento de dominação fundamental. Aquilo que não se anuncia, não se deve combater, ou não existe e assim vamos reproduzindo prática opressoras, violentando, molestando, violando.

Então, todo silencio tem uma intenção. E os silêncios contra o racismo, as desigualdades de gênero e a homossexualidade são bastante intencionais.

Sei que não é uma punição que vai modificar algo em relação ao racismo. Inclusive a forma como o caso vem sendo debatido mostra que pode até ser pior se não houver um direcionamento pedagógico e contra-hegemônico das discussões. Mas acho que pode servir de ponto de partida para uma soma de esforços das entidades que administram um dos maiores traços de nossa cultura. O futebol pode ser um forte aliado neste processo. Basta que não percamos o trem, mais uma vez, e causemos mais discórdias e divisões ente nós mesmos.

É hora de fazer com que os clubes as entidades que gerenciam nosso esporte favorito se enxerguem enquanto agentes políticos com uma capacidade de promoverem transformações sociais imensas e agregar aos seus valores as pautas progressistas destes setores historicamente marginalizados.

Dodô Cavalcante

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Operação Blá blá blá (Ficção)

(Parte I)
João Goulart, então Presidente da República, considerado herdeiro de Getúlio Vargas (presidente contra o qual tentaram destituí-lo através de um golpe de estado sem sucesso), gozava de amplo apoio popular e fazia um governo considerado pelos especialistas, muito alinhado aos governos de países do campo da esquerda pelas medidas em defesa dos trabalhadores das cidades e do campo. Jango iniciou a Reforma Agrária num Brasil ainda muito dependente dos grandes proprietários de terra. Além do mais, promoveu as Reformas Urbana e Educacional preconizando o Método Paulo Freire, visando a erradicação do analfabetismo. O ano é 1964.
Contudo, setores da elite brasileira (principalmente da elite relacionada à imprensa) começaram a agir sistematicamente visando seu enfraquecimento, pois acreditavam ser este menos popular e, por isto, mais vulnerável que seu padrinho político. Puseram a fomentar a ideia da iminência de golpe de orientação de esquerda (golpe comunista) por sua aproximação a governos como Cuba e União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, declaradas repúblicas comunistas, num período de muitas incertezas e tensões. Na ocasião, o mundo atravessava a conhecida Guerra Fria e se dividia basicamente entre aqueles países defensores do capitalismo, liderados pelos Estados Unidos da América, e aqueles que se alinhavam ao Comunismo, liderados peã União Soviética.
Estes setores passaram a atacar o presidente de forma violenta. Forjaram pesquisas onde o Presidente caía gradativamente na aprovação popular, criando no imaginário popular a imagem de um governo golpista, que se sobrepunha à Constituição, desestruturado e sem preparo para superação das questões econômicas.
Na medida em que Jango ia adiante com as medidas previstas nas reformas de base,  movimentos de desestabilização ganharam força e uma grande articulação política entre setores do alto comando militar em conjunto com setores da elite agrária, industrial, da imprensa e da classe média que culminaram no golpe militar do ano em referência. Jango seria assassinado anos mais tarde por envenenamento em uma cidade argentina onde vivia exilado.  Seu assassinato apenas seria revelado 32 anos após a sua ocorrência, por um ex-agente do serviço de inteligência uruguaio. A morte teria sido operada pelo Departamento de Operações Políticas e Sociais, através da Operação Condor, com o consentimento do Governo Brasileiro.
(Parte II)
50 anos depois, no cabalístico ano de 2014, a mesma elite nacional intensifica as ações de desestabilização do governo da Presidenta Vilma, tida como menos popular e mais vulnerável que seu padrinho político, seu antecessor, Joca da Silva. Utilizaram-se então de discursos distorcidos sobre os programas do governo, além de interpretações falsas de indicadores socioeconômicos numa tentativa de desestabilizar o governo junto a diversos agentes (mercado, sociedade, aliados políticos, comunidade internacional).
Começaram a instaurar um medo de golpe comunista aos moldes de Cuba e do que eles entendiam ter acontecido na Venezuela e ser um movimento orquestrado na América Latina, juntamente com Uruguai, Argentina, Chile, Bolívia (“O Brasil vai se tornar uma República Bolivariana com este Governo. Temos de fazer algo!”). Começaram a divulgar, através dos seus meios de comunicação em massa, possíveis escândalos com base em suspeitas que, mesmo depois de desmentidas, não havia retratação, tampouco a mesma cobertura que houve quando se criaram indícios de irregularidades. E crescia o boato de que o golpe comunista estaria cada vez mais próximo. Novamente, um clima de desconfiança e tensão era instaurado na população. Desta vez, o engajamento de artistas, jornalistas e atletas de prestígio junto à opinião pública era cada vez maior e ganhava força. Instalou-se um clima de desrespeito e ódio por tudo e todos que representassem o governo.
Durante a campanha eleitoral deste ano, num cenário onde levava a crer que, mesmo com toda a ação desestabilizadora, a presidenta Vilma venceria no primeiro turno, um desastre aéreo cercado de mistério mata o presidenciável Edinaldo Ramos, colocando sua vice, Karina Silva no cenário. Karina, todos sabiam, era a única que poderia levar a disputa ao segundo turno com chances de vitoria, na visão doa opositores mais otimistas. O problema é que Edinaldo nunca desistiria da candidatura.
Ao  assumir a liderança da chapa, Institutos de pesquisa lançam resultados de pesquisas intrigantes desde a primeira sondagem. Numa crescente inexplicável, a predestinada candidata deixa a morte para, possivelmente, entrar pra história. Karina desistiu de viajar com Edinaldo Ramos meia hora antes. Sem base alguma Karina aparece subtraindo votos da candidata à reeleição.
Mesmo com as sucessivas investidas da elite brasileira contra o atual governo que, articulada com agentes externos e setores da imprensa hegemônica, visavam desestabilizar sua economia e vida política com supostos escândalos de corrupção na maior empresa estatal do país, a presidenta apresentava reação positiva no cenário eleitoral.
Como esperado, Vilma vence as eleições no primeiro turno  e o fantasma do golpe encarna. Assim, o golpe comunista vem à tona e a população ensandecida e ávida por justiça vai às ruas cobrar sua liberdade de volta, tendo por referência as pesquisas de institutos renomados. O recado assimilado das novas manifestações aponta que as ruas apenas se acalmarão quando a presidenta reeleita renunciar.
Em um clima cada vez mais tenso, os jornais voltam a manifestar o apelo popular   por intervenção, pois a presidenta se nega a ceder a uma investida que, ao seu ver, consiste numa tentativa clara de golpe de Estado. Não havendo outra solução, acontecera uma intervenção com uma aparente aprovação popular e o Partido dos Operários, assim como a presidenta, são expulsos do cenário político como vilões.

Dodô Cavalcante