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domingo, 19 de maio de 2013

Sobre o Amor em breves linhas




Para Dona Katarina, ou mainha.

O Amor levanta cedo, reclama das noites. Brilha o dia inteiro como durante todos esses anos. Nunca reclamou da vida sofrida, árida... lamenta, mas procura o tempo inteiro ser feliz.
O Amor também joga cartas e depois pega no sono. O Amor dorme só e mesmo assim acorda cantando; adivinha o que eu penso e o que vou fazer, o que quero comer; conversa com fotografias e plantas;
As vezes me ensurdece, o Amor. Com suas ladainhas e cuidados reclama de toalhas na cama, do violão jogado, noites e noites em claro nas ruas atordoado; o que faço tão longe? Pra onde vou apressado? Das idas e vindas dos cigarros...
O Amor me acorda cedinho, não há dia certo: quarta, quinta, sexta ou sábado. Precisa dos meus olhos abertos por perto, meu faro aguçado, paladar refinado. Precisa do meu humor, mesmo que mal-humorado. Gosta de abraços, beijinhos e ouvidos. Tem me cobrado bem menos, o Amor.
O Amor fala muito, gosta da rotina, de falar sobre os dias, descreve com exatidão e sutileza cada sensação cotidiana: cheiros, medos, ganhos, vultos, defeitos e o amor. O Amor me ensinou a mudar os dias por ter me ensinado a senti-los, observá-los com zelo. Me ensinou o valor das pessoas por perto e que viver junto é difícil, mas sozinho é mais caro. Me mostrou que dia de chuva pode ser bom porque junta todo mundo em casa. Me fez gostar da chuva – logo eu, que sou inteiro verão!
É meu professor, o Amor. Me ensina a vida inteira sobre felicidade, política, poesia, cozinha, educação e amar. Me fala que o bem é sempre a melhor opção. E que sempre há esta opção. E que não se perde oportunidade de se fazer o bem. Mesmo maltratado, o Amor sempre ama a gente.
Me acalentou tanto, o amor! E eu apenas a amo.


Dodô Cavalcante

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Dúvidas

Mais uma contribuição da minha querida Rita Lessa. Sempre grato e mais admirador ainda dela.
 
 
Ele é como o vento leva tudo e vai embora. Leva até os pensamentos dela, suas canções, crônicas, poesia, propaga sua melodia, revela a sua folia, aflora a sua libido, arranca seu vestido faz com que se sinta inteligente, interessante irresistível, provoca uma tempestade de sentidos, revela prazeres antes desconhecidos por ela. 
Ele é o moço do se,do não, do talvez, do quando em vez, do vez em quando. Aquele que traz inquietude, instabilidade, dúvida, o sabor da incerteza, ou apenas uma mera ilusão para o viver dela. 

Ela deseja que haja o encontro entre exclamações e interrogações, para que eles finalmente se reencontrem.

Rita Lessa

sábado, 1 de dezembro de 2012

Expansão



Ando por mim Descalço e
só
Muddy Waters no silêncio
Um fio de fumaça
Serpenteia
pena
alento
poema
em dó
maior que o amor
é meu peito
são, as estradas que me cortam
metade dos meus passos

Dodô Cavalcante

Coração de aluguel



Coração usado
Desbotado
Mas em ótimo estado
Aluga-se

Dodô Cavalcante

domingo, 11 de novembro de 2012

Só



Não tenho um plano para nós dois
Não há senões, nem há canções
Sanções ou sons, paixões
também não tenho

Não fiz milagres, não trouxe a luz
não há verdade ou vaidade
não quero prego, espinho, cruz
também não quero

Eu quero o mar, sol e sal
Eu vejo almas a sós e nós
não vejo mais, nem ouço voz
não quero mal

Me deixe só, me deixe dor
Me deixe, dor
Mas deixe amor
Me deixe amor que só eu vou

Dodô Cavalcante

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Entre reflexos

Se eu fosse um espelho
refletiria Deus
suas fraquezas e vícios
mas sou poeta
reflito mesmo
o Diabo
em sua Beleza  e Perfeição

Dodô Cavalcante