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sexta-feira, 15 de agosto de 2014

#EuAcredito

O amor é vertical e mira o infinito. É de muito tempo, mas não o pertence - é eterno. Há séculos, milênios de sofrimento e desventuras da passagem humana pela terra, o amor sobrevive e reorganiza as vidas. O amor nutre esperança de um dia casar com a felicidade. O amor sobreviveu à fome, pestes, cruzadas, guerras tribais, ao processo civilizatório e ao enclausuramento monogâmico, ao Império e à queda de Roma, às Invasões Bárbaras, guerras mundiais e holocausto, Revoluções e atentados, moda, política, poesia, cinema, novelas, ao Orkut, selfies, fofocas... O amor é o único sobrevivente que não cobra anistia. Verdadeiro diplomata, cidadão do mundo. De vários mundos. Poliglota. Antenado. Soube que Deus o adicionou no Face e até começaram um relacionamento sério. Mas ele é inteirinho nosso.

Dodô Cavalcante

domingo, 3 de agosto de 2014

Poeta-Bomba

  • Confesso que durante anos também fui terrorista. Atentava contra a poesia através de uns versos-bombas
  • Por pura falta de talento e de ar
Hoje, observando suas cinza misturadas às das pontas dos lápis utilizados em sua destruição, confundem-me a coexistência do remorso e da vontade quase
incontrolável de continuar.

Dodô Cavalcante

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Algum poema

Eu tenho um medo
que só em pensar nele
eu me tremo
quase morro
Só em pensar
quanto mais falar

quando falo parece que
ganha forma, corpo espaço avança em mim
Sinto-me tocado abraçado comido
sinto-me engolido digerido excretado
sinto-me coisa dele
sinto-me ele

Mas voltando ao assunto
eu tenho um medo que
quando lembro em encolho
chamo por mainha,
por deus
- por todos eles -
por todos os santos

Eu tenho medo
é que o amor acabe.

Dodô Cavalcante

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Dissertação com fins de obtenção de nota no curso levemente egoístico e profundamente egocêntrico do professor Clodoaldo Cavalcante

Este texto foi enviado por um amigo que nunca vai perder essa mania de sempre melhorar tudo em que se mete. Dez e meio, caro aluno.

título: um abraçaço!

Não obstante toda impertinência consciente deste e-mail, a missiva relutou em sair das minhas mãos, ao mesmo tampo que não o fez da minha cabeça. Também como aviso introdutório, esta não exige resposta, retratação, solidariedade, ou reciprocidade;  vai como uma carta a uma interlocutora desconhecida, invisível, parcialmente imaginária, ao passo q apenas quase se prende em projeções. Tem, assim, a exclusiva intenção de eximir-se da "culpa" passível de ser depositada em que evita a dúvida - para deixar-se vagar pelos existencialismos sartreanos, não fugindo dos clichês, mas ao menos dos romantismos puros.

Mas, então, frente ao desconhecimento da minha interlocutora, é a essas projeções que escrevo, guardando um profundo desejo de alguma identificação entre ambas, mas desacreditando disso com intuitos de autopreservação.

Nessa medida, desacredito, logo, que em cada justificativa irrisória para um abraço florido, apenas parcialmente polido, justificável aos olhos anônimos como possivelmente entre amigos de longa data, poderia haver algum interesse oculto pela própria alma de alguma troca de energia efêmera, descomprometida, guardado pelo particular interesse em conhecer e se permitir ser conhecido. Desacredito, ainda, que a partir de um interesse tão mundano - ao passo que também sublime -, possa ter havido algum interesse reprimido em se deixar apresentar de fato para o outro.

Da mesma forma, coloca-se como impossível que a minha interlocutora-projeção tenha de alguma forma notado que os interesses particulares se encontravam muito menos nas reuniões de troca de conhecimento, que na possibilidade ínfima apresentada de uma inesperada oportunidade de uma situação redentora do autocontrole e responsabilidades sociais nas quais nos encontramos acorrentados e identificados.

Enfim, desacredito que se de alguma forma - mesmo torta - eu venha a estar completamente enganado, esta situação venha a se tornar em qualquer momento de descuido, explícita e declarada, se não, apenas enterrada e obscurecida.

Assim, com esse movimento suicida de sinceridade descabida e ingênua, espero, talvez apenas certa complacência não constante a intelectuais, oq já poderia soar como comprovação material suficiente de toda reciprocidade possível.

Porém, por acreditar que esta missiva não terá sua conclusão lida. Por compreender que seu tom enfadonho, démodé e pouco lúcido só vem a afastar qualquer possibilidade de interlocução real, paro de escrever. Não concluo, encerro as chantagens emocionais e peço a quem quer que leia, que, por favor não me tenha mal. Aqui vai um e-mail que não deveria ser enviado, uma intenção que poderia ter sido muito mais sutilmente alimentada numa sofisticação digna dos mais "vermelhos e negros personagens".

Inconcluo o impossível...

Dignamente, sem autor, fatos, ou existência, "oq não tem motivo nem nunca terá, oq não tem juízo".

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Revolução

O amor se reapresentou a mim por estes dias
em outras cores, em outros sons e cheiros; numa forma
e ritmos inesperáveis que quase
demorei em reconhecê-lo

O amor, como sempre, me provando
que é a força motriz das revoluções.
Das revoluções de verdade, que vem do peito
do sangue das gentes, da gana
por liberdades...

Desta vez o amor se mostrou
Guevara
e eu Cuba livre.

Dodô Cavalcante.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Saudade

Saudade é coisa
Pra ontem
Ou antes de ontem

O amor é coisa
pra já
Pro quanto antes

O amor tem saudade
e saudade é quem ama
de perto ou de longe
de hoje em diante

Dodô Cavalcante